As formas precedentes e as inspirações – Camera Obscura e Lanterna Mágica

Os espetáculos miniaturizados e escondidos em uma caixa existem há muito tempo. Antes da invenção do Teatro Lambe-Lambe por Denise Di Santos e Ismine Lima, a ideia de utilizar uma caixa para representar e transformar a realidade de fora e de contar uma história a um público reduzido nos leva à origem da fotografia, ao desenvolvimento de diversos dispositivos ópticos e à cultura dos peep shows. Estes dispositivos e espetáculos vão incitar os cientistas, servir os artistas e divertir pessoas de todas as idades.

Camera obscura (câmera ou câmara escura)

Sua mais antiga descrição é a fornecida por Aristóteles no século IV a.C.. Ele já relatava em suas Problematica que a luz entrando por um pequeno orifício em uma sala escura produzia uma imagem do exterior da sala sobre a parede oposta ao orifício. Ele notava igualmente que esta imagem era invertida e que seu tamanho aumentava a medida que a superfície de exposição se distanciava do orifício.

camara escura

Camera obscura (câmera escura). Foto: domínio público.

 

 

Na Antiguidade, o princípio da câmera escura era utilizado para a observação dos astros e sobretudo do Sol. Somente em 1515, a câmera escura foi transformada em máquina de desenho por Leonardo da Vinci. Com os desenvolvimentos realizados no século XVIII por Robert Boyle e o criador do microscópio Robert Hooke, a câmera foi reduzida a uma caixa portátil e este procedimento foi utilizado por inúmeros pintores que decalcavam os contornos de seus temas, tais como Vermeer ou Canaletto.

A primeira fotografia reconhecida data de 1826 e foi realizada pelo francês Joseph Nicéphore Niépce. Para registrar a primeira imagem permanente, ele utilizou uma câmera equipada com uma placa de estanho coberta de um derivado de petróleo fotossensível durante oito horas de exposição solar. Mais tarde, Niépce associa-se ao inventor Louis Daguerre que vai desenvolver o daguerreótipo. Em 1839, o britânico William Fox Talbot inventa os papéis fotossensíveis e o começo dos filmes fotográficos que popularizarão a fotografia

ponto de vista do gras

Ponto de vista do Gras. Joseph Nicéphore Niépce, 1826.

 

 

câmera escura de Joseph

Câmera escura de Joseph Nicéphore Niépce de 1820, exposta no museu Nicéphore-Niépce de Chalon-sur-Saône. Foto: domínio público.

 

A Lanterna Mágica

Em 1646 o jesuíta alemão Athanasius Kircher publica Ars Magna Lucis et Umbrae (A grande arte da luz e da sombra) que abre caminho para a construção de lanternas mágicas, um dispositivo óptico muito popular na época. Sua data de criação é estimada entre os anos de 1659 e 1662. Primeiramente chamada de “lanterna do medo” por seu inventor, o cientista holandês Christian Huygens fascinado pelas figuras da Dança Macabra, ela recebe também diversos nomes antes de ser designada “lanterna mágica” em 1668 pelo jesuíta Francesco Eschinardi.

lanterna mágica

Lanterna Mágica. Foto: Andreas Praefcke, 2006.

O princípio da câmera escura é invertido, isto é, levar as imagens do interior ao exterior por meio de uma caixa metálica com um espelho côncavo e uma fonte luminosa. O Sol como fonte luminosa e as paisagens projetadas na câmera escura são substituídas aqui por elementos artificiais, uma lâmpada e uma placa de vidro pintada. A luz artificial da lâmpada passa pela placa de vidro, depois pela lente, para projetar sobre uma tela ou uma superfície externa a imagem invertida (de cima para baixo) pintada sobre a placa de vidro.

A medida que o mecanismo evolui, pode-se encontrar diversas variações, por exemplo a lanterna com duas objetivas, o que permite durante a projeção a concatenação simultânea de duas imagens pintadas sobre duas placas de vidro diferentes. Ou ainda, os pequenos mecanismos instalados nas placas de vidro permitindo animar manualmente as imagens projetadas.

A lanterna mágica esteve sempre entre a ciência e o divertimento. De um lado ela era utilizada como ferramenta pedagógica nas conferências e seminários e de outro lado ela divertia as pessoas e assustava o público das fantasmagorias1 do século XVIII.

espetáculo lanterna mágica

Especulo de lanterna mágica. Foto: domínio público.

 

(Texto integrante da dissertação Teatro Lambe-Lambe – Sua história e poesia do pequeno de Pedro Cobra orientado por Prof. Véronique Perruchon na Université de Lille)

Notas e referências bibliográficas:

1 A fantasmagoria, etimologicamente “arte de fazer os fantasmas falarem em público”, consiste essencialmente em um espetáculo de projeção sobre uma tela de tecido ou de fumaça de imagens assustadoras, estimulantes ou obscenas com o objetivo de atingir a imaginação do público e de provocar reações sensíveis.

TAVERA, César., Del peep show, titirimundi y las linternas mágicas a los lambe lambe en Brasil y las cajas misteriosas en México, Monterrey, 2014. [online]
https://issuu.com/baulteatro/docs/cajas_misteriosas_en_m__xico [consultado em 01/03/2017].

___________________________________________________________________________________________

VERSION FRANÇAISE

LES FORMES PRÉCÉDENTES ET LES INSPIRATIONS

Les spectacles miniaturisés et cachés dans une boîte existent depuis longtemps. Avant l’invention du Théâtre Lambe-Lambe par Denise Di Santos et Ismine Lima, l’idée d’utiliser une boîte pour représenter et transformer la réalité dehors et de raconter une histoire à un public réduit remonte à l’origine de la photographie, le développement de plusieurs dispositifs optiques et la culture des peep shows. Ces dispositifs et spectacles vont inciter les scientifiques, servir les artistes et amuser les gens de tous les âges.

La Camera obscura (la chambre noire)

Sa plus ancienne description est celle fournie par Aristote au IVe siècle avant J-C. Il relatait déjà, dans ses Problematica que la lumière entrant par un petit orifice dans une pièce noire produisait une image de l’extérieur de la pièce sur le mur opposé à l’orifice. Il notait également que cette image était inversée et que sa taille augmentait au fur et à mesure que la surface d’exposition s’éloignait de l’orifice.

Sous l’Antiquité, le principe de la chambre noire était utilisé pour l’observation des astres et surtout du soleil. Seulement en 1515, la chambre noire a été transformée en machine à dessiner par Leonardo da Vinci. Avec les développements réalisés au XVIIIe siècle par Robert Boyle et le créateur du microscope Robert Hooke, la chambre a été réduite à une boîte portable et ce procédé fut utilisé par nombreux peintres qui décalquaient les contours de leurs sujets, tels Vermeer ou Canaletto.

La première photographie reconnue date de 1826 et a été réalisée par le français Joseph Nicéphore Niépce. Pour enregistrer la première image permanente, il a utilisé une camera équipée avec une plaque d’étain recouverte d’un dérivé du pétrole photosensible pendant huit heures d’exposition solaire. Plus tard, Niépce s’associe avec l’inventeur Louis Daguerre qui va développer le daguerréotype. En 1839, le britannique William Fox Talbot invente les papiers photosensibles et le début des films photographiques qui populariseront la photographie.

La Lanterne Magique

En 1646 le jésuite allemand Athanasius Kircher publie Ars Magna Lucis et Umbrae (Le grand art de la lumière et de l’ombre) qui ouvre la voie à la construction des lanternes magiques, un dispositif optique très populaire à l’époque. Sa date de création est estimée entre les années de 1659 et 1662. D’abord appelée « lanterne de peur » par son inventeur, le scientifique hollandais Christian Huygens passionné par les figures de la Danse Macabre, elle reçoit aussi plusieurs noms avant d’être désignée « lanterne magique » en 1668 par le jésuite Francesco Eschinardi.

Le principe de la chambre noire est inversé, c’est-à-dire amener les images de l’intérieur à l’extérieur par le moyen d’une boîte métallique avec un miroir concave et une source lumineuse. Le soleil comme source lumineuse et les paysages projetées dans la chambre noire sont remplacées ici par des éléments artificiels, une lampe et une plaque de verre peinte. La lumière artificielle de la lampe passe par la plaque de verre, puis par la lentille, pour projeter sur une toile ou une surface extérieure l’image renversée (haut-bas) peinte sur la plaque de verre.

Au fur et à mesure de l’évolution du mécanisme, on en trouve de nombreuses variantes, par exemple la lanterne avec deux objectifs, ce qui permet lors de la projection l’enchaînement simultané de deux images peintes sur deux plaques de verre différentes. Ou encore, les petits mécanismes installés dans les plaques de verre permettant d’animer manuellement les images projetées.

La lanterne magique a été toujours entre la science et le divertissement. D’un côté elle était utilisée comme outil pédagogique dans des conférences et séminaires et d’autre côté elle amusait les gens et effrayait le public des fantasmagories1 du XVIIIe siècle.

(Texte intégrant du mémoire Théâtre Lambe-Lambe – Son histoire et sa poésie du petit de Pedro Cobra dirigé par Mme. Véronique Perruchon à l’Université de Lille)

Notes et références bibliographiques:

1 La fantasmagorie, étymologiquement « l’art de faire parler les fantômes en public », consiste essentiellement à un spectacle de projection sur un écran de toile ou de fumée des images terrifiantes, édifiantes ou obscènes avec l’objectif de frapper l’imagination du public et de provoquer ses réactions sensibles.

TAVERA, César., Del peep show, titirimundi y las linternas mágicas a los lambe lambe en Brasil y las cajas misteriosas en México, Monterrey, 2014. [en ligne]
https://issuu.com/baulteatro/docs/cajas_misteriosas_en_m__xico [consulté le 01/03/2017].

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s