As formas precedentes e as inspirações – Os Peep shows

Em sua origem, os peep1 shows começaram como uma curiosidade científica. De acordo com os estudos da perspectiva de Leon Battista Alberti2 no seu tratado De Pictura, Filippo Brunelleschi3 realiza duas experiências com dispositivos concebidos por ele mesmo. Como descreve Hubert Damich:

A primeira de suas experimentações acontece na praça do Batistério de Florença. Brunelleschi concebe uma pequena tábua (tavoletta) de madeira atravessada por um furo para o olho e no verso da superfície da tábua, ele pinta a fachada do Batistério de Florença; na parte superior, ele fixa uma placa de metal polido que reflete o céu. O espectador deve então se postar atrás desta pequena tábua munido de um espelho que ele apresenta face à representação figurada na face da frente da tábua. Assim, o espectador é posicionado a fim de poder perceber a praça (que se situa nas suas costas) onde o desenho do Batistério se sobrepõe, pelo jogo de reflexo, ao verdadeiro prédio, criando a ilusão de um espaço único e contínuo. A segunda experimentação acontece na praça da Senhoria em Florença. Mais uma vez ele realiza uma pintura da praça sobre uma pequena tábua a qual ele recorta a parte superior (seguindo uma linha respeitando os contornos superiores dos prédios). Ele posiciona em seguida esta tábua na praça de maneira que a partir de um ponto vista único, o espectador tenha o sentimento que a pintura coincide precisamente com os prédios da praça.4

experimento

Representação do dispositivo de perspectiva de Brunelleschi. Foto: domínio público.

As primeiras descrições de espetáculos deambulatórios dentro de caixas ópticas ou retábulos datam do século XVI. Primeiramente chamados de Retablos, em razão de sua semelhança com as pinturas religiosas que se abrem em três partes, e depois designados Tutilimundi5, estes espetáculos apresentavam imagens em perspectiva, objetos ou marionetes em movimento comentados pela narração do artista, o contador ou, simplesmente o mostrador. De origem presumidamente italiana, tratavam-se de grandes caixas ópticas portáteis que reuniam figuras em movimento graça a um efeito óptico. A portabilidade das caixas e dos retábulos, puxados sobre uma carroça ou carregados sobre as costas do artista, permitiam viajar de feira em feira, de cidade em cidade e difundir sua prática. Como destacou Richard Balzer:

Diversos mostradores dos primeiros tempos vieram da Itália do norte e, a medida que eles se espalhavam pela Europa, podia-se escutar seus chamados “Chi vuol veder il Mondo Nuovo? (Quem quer ver o Novo Mundo?). Ora, imagine estes mostradores itinerantes, humildes de aspecto e que, para atrair a multidão, escolhem um local favorável e utilizam um instrumento para fazer música, senão musical. (…) Estes mostradores de caixas ópticas deviam ser contadores de primeira ordem se eles desejassem convencer os espectadores pouco folgados financeiramente a se separar de um precioso dinheiro. Existem poucos registros referentes aos mostradores de caixas ópticas, gente que pela própria natureza de sua atividade, estando hoje aqui e amanhã em outro lugar, deixavam somente lembranças.6

retábulo

The Raree Show. Retábulo aberto, Foto: domínio público.

tutilimundi

El tuti-li-mundi, Francisco Ortego Vereda, 1861. Foto: domínio público.

Os mostradores tinham então uma função essencial no acontecimento artístico das caixas ópticas. Com as poucas caixas que restam ainda hoje nos museus e com as imagens nos livros, não se pode precisar o poder da récita do artista que transformava as imagens e os objetos dentro de sua caixa em histórias e poesia. O narrador devia fazer as imagens crescerem estimulando a imaginação de seu público. Os mecanismos de animação, muito rudimentares, estavam a serviço da capacidade do mostrador de contar uma aventura por meio das imagens. Esta característica estética se aproxima de alguma forma das histórias em quadrinhos atuais uma vez que cada grupo de pinturas ou figuras constituíam uma história completa. Em seu livro, Richard Balzer traz um poema sobre um dos raros mostradores conhecidos. O Old Harry passou sua vida nas ruas de Londres do século XVII com sua caixa nas costas. A seguir uma parte do poema em questão sobre sua vida e seu espetáculo:

(…) O som de sua sineta vos chama,

Para vir ver seu Raree-Show, vós os espectadores;

Vós sereis felizes de vir vê-lo,

E de pagar um tostão e olhar através da lupa,

Onde cada objeto que ele vos apresenta,

Alegrará vossa imaginação e vos encantará!

Objetos estranhos em natureza e em número,

Tão diversos que eles vos maravilharão;

Enquanto se olha através da lupa jurar-se-ia,

Que de uma espiadela abraça-se o vasto mundo.7

Nos séculos XVII e XVIII, este tipo de divertimento popular era conhecido em uma grande parte da Europa mas também na China e no Japão. Os chineses e os japoneses, eles que desenvolveram suas próprias noções de perspectiva aplicadas nos seus jardins e suas arquiteturas, eles vão se interessar também pelas caixas ópticas levadas pelos europeus, sobretudo os holandeses, visto que o nome conhecido lá era Machines Hollandaises ou para as que eram de gravuras Ukiyoe8 à Cheveux Roux. Assim mostra Balzer:

china

Caixa óptica na China, fim do século XVIII. Foto: domínio público

O desenvolvimento da caixa óptica não está limitado ao Ocidente. (…) Por volta do século XVII, os jesuítas alemães tais como Aden School von Bell, numa tentativa de importação do cristianismo na China, levaram talvez caixas ópticas. No entanto, não será antes do século XVIII que estas ideias se desenvolverão. (…) Segundo o jornal japonês Gei-en Nissho, encontraram-se traços na dinastia chinesa Ch’ing de uma caixa e imagens ópticas chamadas “imagens em perspectiva”. Por volta de 1718, no Japão, um comentário diz que “por um sen (1/100 de yen), vale a pena ver o prazer diabólico do visualizador. Este prazer vale um milhão de peças de ouro”.9

Durante os anos, a estrutura das caixas ópticas e o movimento das imagens e das marionetes evoluíram para mecanismos de relojoaria mais refinados que eram acionados por uma série de cordões de um lado da caixa ou ainda por uma manivela que fazia desfilar imagens em rolo. Neste momento, divide-se a prática dos Tutilimundi. Os retábulos, essencialmente manuais, ficam com o seu nome e as novas caixas ópticas mecânicas são designadas como Titirimundi.

Existiam dois tipos de caixas ópticas ou Titirimundi:

  1. As caixas cuja principal característica era a profundidade por causa dos orifícios de observação afrente que tinham uma lente. A imagem ou as imagens eram posicionadas mais longe no fundo do instrumento. Eventualmente, havia uma boca de cena para emoldurar as imagens.

  1. As caixas que eram mais altas do que profundas. Chamadas também de “caixas de perspectiva”, elas combinavam uma lente frontal e um espelho posicionado a 45 graus. O olhar então era reorientado para baixo onde estavam as imagens. Igualmente ao primeiro tipo de caixas ópticas descritas acima, estas caixas podiam ter uma boca de cena que emoldurava as muitas imagens dispostas uma sobre a outra.

Os dois tipos de caixas comportavam um tipo de cobertura transparente para a luz. As imagens eram iluminadas pela luz natural difundida por um pergaminho bem lavado e as vezes tingido para ter cores. A iluminação natural era reforçada pela instalação de espelhos que refletiam a luz no interior da caixa. Podia-se substituir a iluminação natural pela de uma vela no interior da caixa. Estas caixas eram equipadas com uma chaminé de ventilação para a fumaça. Havia também para algumas caixas a possibilidade de uma segunda abertura atrás, o que permitia uma iluminação também atrás da imagem. Podia-se utilizar velas igualmente atrás da imagem para obter o mesmo efeito.

tipo 1

Caixa óptica tipo 1. Foto: domínio público

tipo 2
Caixa óptica tipo 2. Foto: domínio público

O fim do século XVIII e o começo do século XIX é o período mais intenso no que concerne a produção em grande escala de imagens ou vistas em perspectiva que podiam ser utilizadas com as caixas ópticas. Segundo Balzer, os principais centros de produção foram Londres, Paris, Bassano na Itália, Augsburg na Alemanha, Amsterdam e Viena. As imagens eram impressas em papel fino ou em papelão mais rígido. As caixas ópticas chegam às Américas neste período.

Pouco a pouco as caixas ópticas são miniaturizadas para se tornarem disponíveis para o ambiente doméstico. Elas saem dos espaços públicos e entram nos salões das famílias burguesas. Assim mostra Balzer:

Por volta de 1820, as gráficas começam a reunir folhas de papel umas com as outras para obter caixas ópticas em sanfona, souvenirs de eventos históricos e de aniversários. (…) Por volta do fim do século XIX, os mostradores itinerantes tinham desertado as ruas das grandes cidades e passaram a ser simples visitantes ocasionais das vilas e vilarejos afastados.10

caixa sanfona

Caixa óptica em sanfona. Peepshow: River Thames and Tunnel, Inglaterra, 1843. Foto: Victoria and Albert Museum


(Texto integrante da dissertação Teatro Lambe-Lambe – Sua história e poesia do pequeno de Pedro Cobra orientado por Prof. Véronique Perruchon na Université de Lille)

Notas e referências bibliográficas:

1O verbo to peep do inglês significa « dar uma olhada, espiar » e o substantivo peep designa « um olhar furtivo ». (Fonte : Dicionário Larousse e Dicionário Reverso)

2(1404-1472) Trata-se de uma das figuras mais importantes da Renascença, grande escritor e filósofo, em latim e em volgare, primeiro teórico da perspectiva.

3(1377-1446) Arquiteto, escultor, pintor e ourives da Escola florentina. Ele vai racionalizar o espaço da cidade moderna e instaura as bases da perspectiva. Mestre de Alberti.

4Hubert Damich, L’origine de la perspective, Paris, Flammarion, 1987, p. 107-108. (Tradução livre)

5Do italiano tutti li mondi (todos os mundos), chamado também de Mundinovi ou Mundonuevo (mundo novo) ou ainda Raree shows, do inglês rare show (espetáculo raro).

6Richard Balzer, Peepshows: a visual history, New York, Harry N. Abrams, Inc. 1998, p. 146-147. (Tradução livre)

7Poema citado em Handwritten notes in the drawings and print collection, Guildhall Library, « Old Harry, A Famous Raree-Show-Man », from Curiosities of Biography edited by Robert Malcom, London, 1855, p. 2. In : Richard Balzer, op. cit., p. 146. (Tradução livre)

8O ukiyo-e (浮世絵, termo japonês que significa “imagem do mundo flutuante”) é um movimento artístico japonês do período Edo (1603-1868) compreendendo não somente uma pintura popular e narrativa original, mas também e sobretudo as estampas japonesas gravadas em madeira.

9Richard Balzer, op.cit. p. 146. (Tradução livre)

10Richard Balzer, op.cit. p. 149. (Tradução livre)

TAVERA, César., Del peep show, titirimundi y las linternas mágicas a los lambe lambe en Brasil y las cajas misteriosas en México, Monterrey, 2014. [online]
https://issuu.com/baulteatro/docs/cajas_misteriosas_en_m__xico [consultado em 01/03/2017].

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VERSION FRANÇAISE

LES PEEP1 SHOWS

À l’origine, les peep shows ont commencés comme une curiosité scientifique. D’après les études de la perspective de Leon Battista Alberti2 dans son traité De Pictura, Filippo Brunelleschi3 réalise deux expériences avec des dispositifs qu’il conçoit lui même. Comme l’a décrit Hubert Damich :

La première de ces expérimentations se déroule sur la place du Baptistère de Florence. Brunelleschi conçoit une petite tablette (tavoletta) de bois percé d’un trou pour l’œil et au revers duquel, il peint la façade du Baptistère de Florence ; dans sa partie supérieure, il fixe une plaque de métal poli qui reflète le ciel. Le spectateur doit alors se présenter à l’arrière de cette tablette en se saisissant d’un miroir qu’il présente face à la représentation figurant sur la face avant. Ainsi, le spectateur est positionné afin de pouvoir apercevoir la place (qui se situe dans son dos) où le dessin du Baptistère se superpose par le jeu du reflet, au véritable bâtiment, créant l’illusion d’un espace unique et continu. La deuxième expérimentation se déroule quant à elle sur la place de la Seigneurie à Florence. Une nouvelle fois il réalise une peinture de la place sur une tablette dont il découpe la partie supérieure (en suivant une ligne respectant les contours supérieurs des bâtiments). Il positionne ensuite cette tablette sur la place de manière que depuis un point de vue unique, le spectateur ait le sentiment que la peinture coïncide précisément avec les bâtiments de la place.4

Les premières descriptions des spectacles déambulants à l’intérieur de boîtes d’optique ou retables datent du XVIe siècle. Premièrement appelés de Retablos (retables), en raison de sa similitude avec les peintures religieuses qui s’ouvrent en trois parties, et après désignés Tutilimundi5, ces spectacles présentaient des images en perspective, des objets ou des marionnettes en mouvement commentés par la narration de l’artiste, le bonimenteur ou, tout simplement, le montreur. D’origine italienne présumée, il s’agissait des grandes boîtes d’optique portables qui réunissaient des figures en mouvement grâce à un effet optique. La portabilité des boîtes et des retables, poussés sur un chariot ou portés sur le dos de l’artiste permettait de voyager de foire en foire, de village en village et de diffuser sa pratique. Comme l’a soulignée Richard Balzer :

Nombre de montreurs des premiers temps vinrent d’Italie du nord et, tandis qu’ils se répandaient en Europe, on pouvait entendre leur appel « Chi vuol veder il Mondo Nuovo ? » (Qui veut voir le Nouveau Monde ?). Alors, imaginez ces montreurs itinérants, humbles d’aspect et qui, pour attirer la foule, choisissent un endroit favorable et utilisent un instrument à faire de la musique, sinon musical. (…) Ces montreurs de boîte d’optique devaient être des conteurs de premier ordre s’ils voulaient convaincre des badauds peu aisés de se séparer d’un précieux argent. Il y a peu de récits concernant des montreurs de boîtes d’optique, gens qui, de par la nature même de leur activité, étaient aujourd’hui ici et demain ailleurs, laissant seulement des souvenirs.6

Le montreurs avaient donc une fonction essentielle dans l’événement artistique des boîtes d’optiques. Avec les quelques boîtes qui restent encore aujourd’hui dans les musées et avec les images dans les livres, on ne peut pas préciser forcement le pouvoir du récit de l’artiste qui transformait les images et les objets à l’intérieur de sa boîte en histoires et poésie. Le bonimenteur devrait faire les images s’agrandir en stimulant l’imagination de son public. Les mécanismes d’animation, très rudimentaires, étaient au service de la capacité du montreur en raconter une aventure au travers des images. Cette caractéristique esthétique se rapproche de quelque façon à la bande dessinée actuelle puisque chaque groupe de peintures ou figures constituaient une histoire complète. Dans son livre, Richard Balzer apporte un poème sur un des rares montreurs connus. Le Old Harry a passé sa vie dans les rues de Londres au XVIIe siècle avec sa boîte sur le dos. Voici une partie du poème en question sur sa vie et son spectacle :

(…) Le son de sa clochette vous appelle,

Pour venir voir son Raree-Show, vous les spectateurs ;

Vous serez ravis de venir le voir,

Et de payer un sou et regarder au travers de la loupe,

Où chaque objet qu’il vous présente,

Ravira votre imagination et vous enchantera !

Des objets étranges en nature et en nombre,

Tellement divers qu’ils vous émerveilleront ;

Lorsqu’on regarde au travers de la loupe on jurerait,

Que d’un coup d’œil on embrasse le vaste monde.7

Au XVIIe et XVIIIe siècles, ce type de divertissement populaire était connu dans une grande partie de l’Europe mais aussi en Chine et au Japon. Les chinois et les japonais, eux qui ont développé leurs propres notions de perspective appliquées dans ses jardins et ses architectures, ils vont s’intéresser aussi aux boîtes optiques apportées par les européens, surtout les hollandais, pourvu que le nom connu là-bas était « Machines Hollandaises » ou pour ce qui était des gravures « Ukiyoe8 à Cheveux Roux ». Ainsi que le montre Balzer :

Le développement de la boîte d’optique ne s’est pas limité à l’Occident. (…) Vers le 17ème siècle, des jésuites allemands tels que Aden School von Bell, dans une tentative d’importation du christianisme en Chine, emportaient peut-être des boîtes d’optique. Toutefois, ce n’est pas avant le 18ème siècle que ces idées se développèrent. (…) Selon le journal japonais Gei-en Nissho, on a trouvé trace dans la dynastie chinoise Ch’ing d’une optique et d’images optiques appelées « images à perspective ». Vers 1718, au Japon, un commentaire dit que « pour un sen (1/100 de yen), il faut voir le plaisir diabolique de la visionneuse. Ce plaisir vaut un millier de pièces d’or. ».9

Au fil des années, la structure des boîtes d’optique et le mouvement des images et des marionnettes ont évolué à des mécanismes d’horlogerie plus raffinés qui étaient actionné par une série de cordelettes sur un côté de la boîte ou encore par une manivelle qui faisait défiler des images en rouleau. À ce moment là, on divise la pratique des Tutilimundi. Les retables, essentiellement manuelles, restent avec son nom et les nouvelles boîtes d’optique mécaniques sont désignées comme Titirimundi.

Il y avait en fait deux types de boîtes d’optique ou Titirimundi :

  1. Les boîtes dont la principale caractéristique de construction était la profondeur à cause des orifices d’observation à l’avant qui avaient une lentille. L’image ou les images étaient placées plus loin à l’arrière de l’instrument. Éventuellement, il y avait une avant-scène pour encadrer les images.

  1. Les boîtes qui était plus hautes que profondes. Appelées aussi de « boîtes à perspective », elles combinaient une lentille frontale et un miroir placé à 45 degrés. Le regard donc était réorienté vers le bas où étaient les images. Également au premier type de boîtes d’optique décrites au dessus, ces boîtes pouvaient avoir une avant-scène qui encadrait les plusieurs images placées l’une sur l’autre.

Les deux types de boîtes comportaient une sorte de sommet transparent pour la lumière. Les images étaient éclairées par la lumière naturelle diffusé par un parchemin bien lavé et parfois teint pour avoir des couleurs. L’éclairage naturel était renforcé par l’installation de miroirs qui réfléchissaient la lumière à l’intérieur de la boîte. On pouvait remplacer l’éclairage naturelle par celui d’une bougie à l’intérieur de la boîte. Telles boîtes étaient équipées d’une cheminée de ventilation pour la fumée. Il y avait aussi pour certaines boîtes la possibilité d’une deuxième ouverture à l’arrière, ce qui permettait un éclairage aussi à l’arrière de l’image. On pouvait utiliser des bougies également à l’arrière de l’image pour obtenir le même effet.

La fin du XVIIIe et début du XIXe siècles c’est la période la plus intensive en ce qui concerne la production à grande échelle des images ou vues à perspective qui pouvaient être utilisées avec les boîtes d’optiques. Selon Balzer, les principaux centres de production ont été Londres, Paris, Bassano en Italie, Augsburg en Allemagne, Amsterdam et Vienna. Les images étaient imprimées sur papier mince ou sur un carton plus rigide. Les boîtes d’optique arrivent aux Amériques dans cette période.

Peu à peu les boîtes d’optique sont miniaturisés pour devenir disponibles chez soi. Elles sortent des espaces publics et entrent dans les salons des familles bourgeoises. Ainsi que le montre Balzer :

Vers 1820, les imprimeurs commencèrent à assembler des feuilles de papier les unes avec les autres pour obtenir des boîtes d’optique en accordéon, souvenirs d’événements historiques et d’anniversaires. (…) Vers la fin du 19ème siècle les montreurs itinérants avaient déserté les rues des grandes villes et n’étaient que de simples visiteurs occasionnels dans les villes et villages à l’écart.10

(Texte intégrant du mémoire Théâtre Lambe-Lambe – Son histoire et sa poésie du petit de Pedro Cobra dirigé par Mme. Véronique Perruchon à l’Université de Lille)

Notes et références bibliographiques:

1Le verbe to peep de l’anglais signifie « jeter un coup d’œil » et le nom peep désigne « un regard furtif ». (Source : Dictionnaire Larousse et Dictionnaire Reverso)

2(1404-1472) C’est une des figures les plus importantes de la Renaissance, grand écrivain et philosophe, en latin et en volgare, premier théoricien de la perspective.

3(1377-1446) C’est un architecte, sculpteur, peintre et orfèvre de l’École florentine. Il va rationaliser l’espace de la cité moderne et met en place les bases de la perspective. Maître d’Alberti.

4Hubert Damich, L’origine de la perspective, Paris, Flammarion, 1987, p. 107-108.

5De l’italien tutti li mondi (tous les mondes), appelé aussi Mundinovi ou Mundonuevo (monde nouveau) ou encore Raree shows, de l’anglais rare show (spectacle rare).

6Richard Balzer, Peepshows: a visual history, New York, Harry N. Abrams, Inc. 1998, p. 146-147.

7Poème cité dans Handwritten notes in the drawings and print collection, Guildhall Library, « Old Harry, A Famous Raree-Show-Man », from Curiosities of Biography edited by Robert Malcom, London, 1855, p. 2. In : Richard Balzer, op. cit., p. 146.

8L’ukiyo-e (浮世絵, terme japonais signifiant « image du monde flottant ») est un mouvement artistique japonais de l’époque d’Edo (1603-1868) comprenant non seulement une peinture populaire et narrative originale, mais aussi et surtout les estampes japonaises gravées sur bois.

9Richard Balzer, op.cit. p. 146.

10Richard Balzer, op.cit. p. 149.

TAVERA, César., Del peep show, titirimundi y las linternas mágicas a los lambe lambe en Brasil y las cajas misteriosas en México, Monterrey, 2014. [en ligne]
https://issuu.com/baulteatro/docs/cajas_misteriosas_en_m__xico [consulté le 01/03/2017].

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