As formas precedentes e as inspirações – Toy Theatre (O Teatro de Papel)

No contexto de decadência das caixas ópticas itinerantes e a medida que a revolução industrial se acelerava no começo do século XIX, o Toy Theatre ou Juvenile Drama ou ainda Teatro de Papel nasceu na Inglaterra e conquistou toda a Europa. Trata-se de um teatro italiano em miniatura geralmente apoiado sobre uma mesa e acompanhado por figuras na escala do teatro acionadas lateralmente por varetas de papelão ou de ferro. O narrador manipula as figuras de trás da mesa enquanto ele conta a história da peça. Quando criado, os teatros de papel eram réplicas em miniatura de peças célebres ou de grandes clássicos da literatura adaptados, tais como Othelo e Ricardo III de Shakespeare, Os Irmãos Corsos de Dumas e A volta ao mundo em 80 dias de Jules Verne. Podia-se comprar o conjunto do teatro em preto e branco (a ser pintado a mão pelo comprador) ou em cores pelo dobro do preço, continha as paredes e faixadas do teatro, os cenários e as figuras impressas em papel cartão para montar em casa. As sessões, às vezes acompanhadas de música, eram limitadas aos membros da família e convidados. Segundo Garrett Epps:

As crianças os comprava como brinquedos mas os adultos os estimavam também como lembranças de seus atores preferidos e dos espetáculos que gostaram. (…) “O toy theatre é muito mais que um simples brinquedo”, declarou o célebre ator britânico Peter Baldwin em 1992. “O espírito do teatro do começo do século XIX só pode ser retomado pela cena e pelos traços dos personagens do Juvenile Drama inglês”.1

toy theatre

Toy Theatre da época vitoriana de John Redington de Londres mostrando um texto de dois atos de Isaac Pocock O Miller e seus homens. Museu da Infância de Edimburgo. Foto: Kim Traynor

A estrutura de um teatro de papel era bem pequena. O palco tinha uma largura de cerca de 20 cm e as pequenas figuras dos atores mediam em torno de 8 cm. As figuras podiam ser diferentes personagens ou simplesmente o mesmo ator em uma pose teatral e com emoções diferentes, como exigiam diferentes momentos do texto. A convenção pedia ao narrador que agitasse o “ator” enquanto pronunciava as falas variando sua voz segundo cada personagem. Lâmpadas a óleo minúsculas forneciam uma iluminação teatral autêntica. Os textos do teatro de papel eram em geral breves adaptações dos originais no entanto haviam também peças mais elaboradas cujos textos chegavam a mais de 50 páginas e compreendiam mudanças de cenários e efeitos especiais!

Com o declínio do teatro realista no fim do século XIX e começo do século XX, o teatro de papel perde sua popularidade, o que é reforçado pela chegada da televisão após a Segunda Guerra Mundial. Atualmente, vê-se ressurgir o teatro de papel entre as produções de diversos marionetistas, cineastas e autores e é praticado em muitos festivais de teatro internacionais através das Américas e da Europa.

(Texto integrante da dissertação Teatro Lambe-Lambe – Sua história e poesia do pequeno de Pedro Cobra orientado por Prof. Véronique Perruchon na Université de Lille)

Notas e referências bibliográficas:

1Garrett Epps, « The Rise and Fall of Toy Theatre », Craftsmanship Magazine, 2015, [online] https://craftsmanship.net/the-rise-and-fall-of-toy-theatre/ [consultado no dia 01 de maio 2017] (Tradução livre).

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VERSION FRANÇAISE

Le Toy Theatre (Le Théâtre de Papier)

Dans ce contexte de décadence des boîtes d’optiques itinérantes et à mesure que la révolution industrielle s’accélérait au début du XIXe siècle, le Toy Theatre ou Juvenile Drama ou encore le Théâtre de Papier est né en Anglaterre et a conquis l’Europe entière. Il s’agit d’un théâtre à l’italienne en miniature tenant en général sur une table et accompagné par des figurines à l’échelle du théâtre actionnées latéralement par des tiges en carton ou en fer. Le narrateur manipule les figurines derrière la table pendant qu’il raconte l’histoire de la pièce. Lors de sa création, les théâtres de papier étaient des répliques en miniature de pièces célèbres ou de grands classiques de la littérature adaptés, tels comme Othello et Richard III de Shakespeare, Les Frères Corses de Dumas et Le tour du monde en 80 jours de Jules Verne. On pouvait acheter l’ensemble du théâtre en noir et blanc (à être peint à la main par l’acheteur) ou en couleurs pour le double du prix, y comprenait les façades du théâtre, les décors et les figurines, tous imprimés en carton pour assembler à la maison. Les séances, quelques fois accompagnées de musique, étaient limitées aux membres de la famille et invités. Selon Garrett Epps :

Les enfants les achetaient comme jouets, mais les adultes les estimaient aussi comme des souvenirs de leurs acteurs préférés et des spectacles bien-aimés. (…) « Le toy theatre est bien plus qu’un simple jouet », a déclaré le célèbre acteur britannique Peter Baldwin en 1992. « L’esprit du théâtre du début du XIXe siècle ne peut être repris que par la scène et les traits de personnages du Juvenile Drama anglais ».1

La structure d’un théâtre de papier était assez petite. Le plateau avait une largeur d’environ 20 cm et les petits figurines des acteurs avaient une taille d’environ 8 cm. Les figurines pourraient être différents personnages ou simplement le même acteur dans une pose théâtrale et avec des émotions différentes, comme l’exigeaient différents moments du texte. La convention demandait au narrateur de remuer le « acteur » alors qu’il prononçait les lignes en variant sa voix selon chaque personnage. Des lampes à huile minuscules fournissaient un éclairage théâtral authentique. Les textes du théâtre de papier étaient en générale des brèves adaptations des originaux, cependant il y avait aussi des pièces plus élaborées dont les textes arrivaient à plus de 50 pages et comprenaient des changements de décors et des effets spéciaux !

Avec le déclin du théâtre réaliste à la fin du XIXe et début du XXe siècles, le théâtre de papier perd sa popularité, ce qui est renforcé par l’arrivée de la télévision après la Seconde Guerre Mondiale. Actuellement, on voit resurgir le théâtre de papier parmi les productions de nombreux marionnettistes, des cinéastes et des auteurs et il est pratiqué dans de nombreux festivals de théâtre internationaux à travers les Amériques et l’Europe.

(Texte intégrant du mémoire Théâtre Lambe-Lambe – Son histoire et sa poésie du petit de Pedro Cobra dirigé par Mme. Véronique Perruchon à l’Université de Lille)

Notes et références bibliographiques:

1Garrett Epps, « The Rise and Fall of Toy Theatre », Craftsmanship Magazine, 2015, [en ligne] https://craftsmanship.net/the-rise-and-fall-of-toy-theatre/ [page consultée le 01 mai 2017] (Traduction libre).

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