O desafio da síntese

As dimensões reduzidas da caixa Lambe-Lambe e a curta duração do espetáculo, entre dois e cinco minutos, exige uma eficácia técnica e uma forte síntese poética das lambe-lambeiras e lambe-lambeiros. A dramaturgia deve em pouco tempo apresentar as questões e aspirações do espetáculo e cativar o público. À parte a pequena duração do espetáculo, não há um modelo dramatúrgico para o Teatro Lambe-Lambe. Os e as artistas desenvolvem a dramaturgia segundo seus projetos, suas preferências estéticas e suas próprias necessidades. Igualmente, não há assunto predeterminado, todas as temáticas podem ser abordadas dentro da caixa Lambe-Lambe. Existem artistas que decidem escrever suas histórias originais ou adaptar contos já conhecidos e apresentá-los de maneira linear. Neste caso, as ações se desenvolvem segundo uma cronologia bem marcada e a história pode se dividir em outras caixas de uma mesma companhia, assim cada caixa conta um episódio da história. Um exemplo é a trilogia Mistérios de Elêusis da companhia brasileira Eranos Círculo de Arte, dividida em três episódios/caixas a companhia conta com objetos e projeções multimídias o mito grego do Rapto de Perséfone. Os espectadores e espectadoras devem seguir o trajeto predefinido das caixas para assistir cada episódio. Existem também companhias que criam histórias autônomas a partir de uma mesma temática, neste caso não há necessariamente uma ordem para ver os espetáculos mas as caixas são associadas. Um exemplo é o espetáculo Baús do Tesouro da companhia Avenida Lamparina, inspirados pelas histórias de piratas, os e as artistas contam três histórias diferentes em três caixas Lambe-Lambe, cada uma construída segundo uma técnica diferente de manipulação: teatro de sombras, teatro de objetos e bonecos. É interessante destacar aqui que a dramaturgia deste espetáculo começa antes mesmo que os espectadores estejam no interior das caixas. As lambe-lambeiras e o lambe-lambeiro vestidos de piratas apresentam uma pequena cena antes de começar a trabalhar cada um com sua caixa. Durante esta cena, as caixas são utilizadas como cenário com uma estrutura de navio pirata.

Diferentemente, há lambe-lambeiros e lambe-lambeiras que preferem desenvolver uma dramaturgia mais engajada a suscitar uma emoção ou uma ideia na espectadora e no espectador. Neste caso, as ações dos elementos na cena são trabalhados mais pelo lado simbólico e metafórico. Geralmente, estes artistas criam dramaturgias mais enigmáticas baseadas na polissemia, o que abre caminho para diversas interpretações e leituras de seu público. Um exemplo é a obra colombo-argentina Mariposario da Cia. De Teatro Numen onde o público viaja para dentro de um livro, em um universo feito de papel e de ideias férteis. De outra maneira, o espetáculo Quarto de bebê da Trágica Cia. De Arte apresenta com a manipulação de objetos, bonecos e sombras os sonhos e pesadelos de um bebê que não consegue dormir. Um último exemplo, é o espetáculo A Cripta da companhia Turma do Papum que apresenta uma sequência de imagens fantasmagóricas e macabras com a intenção de aterrorizar e assustar o público.

Logo, pode-se constatar que o limite da dramaturgia do Teatro Lambe-Lambe é a criatividade do artista. Trata-se então de uma dramaturgia do possível onde é necessário trabalhar as ideias, os sentimentos, as memórias e os materiais até que eles adquiram a forma de minutos. O trabalho de síntese é uma busca do essencial, uma pesquisa do que é prioritário nos materiais plásticos e poéticos que constituirão a dramaturgia. É também um trabalho de coleta de grãos dos sentimentos, das memórias e das sensações. É necessário saber cultivá-los nas escolhas dos elementos para contar uma história e a cada movimento de sua manipulação. É preciso identificar o que é supérfluo na sua própria criação, no seu pensamento artístico e ser forte para suprimi-lo. Sintetizar é sobretudo um exercício de humildade. Segundo Beltrame:

No Teatro Lambe-Lambe a ideia de síntese, de despojamento e de simplicidade constitui uma opção que supõe a eliminação de excessos, a escolha do que é essencial. Isso não tem a ver com simplificação ou descuido. A premissa “economia de meios”, que há anos norteia o trabalho de diretores de teatro contemporâneos, é tida como elemento fundamental. Exige uma capacidade de condensação e síntese que desafia os poetas. Os “caixeiros” e “caixeiras” vivem o constante desafio de “dizer muito com pouco”. E basta lembrar que na arte, o simples é quase sempre o mais difícil de ser concretizado.1

A dramaturgia do Teatro Lambe-Lambe é também uma dramaturgia do pequeno, do que está escondido. A curiosidade suscitada no público faz parte desta dramaturgia. Pode-se dizer que o espetáculo Lambe-Lambe começa na sedução do espectador. O efeito que a visualidade do conjunto da caixa e da(o) lambe-lambeira(o) tem sobre o público já constitui um primeiro aspecto desta dramaturgia sem palavras. É uma escritura visual que quer convidar as pessoas pelo mistério das coisas escondidas. O que é mais sedutor que um segredo?

Uma vez dentro da caixa, podem-se destacar alguns pontos estruturais em comum nas dramaturgias dos espetáculos Lambe-Lambe. Segundo uma das fundadoras da Cia. OANI de Teatro Valeria Correa Rojas, os pontos-chave da dramaturgia Lambe-Lambe são “o conflito/a tensão, a surpresa, a troca/a transformação e a simplicidade/a rapidez”2. As tensões plásticas e simbólicas entre os objetos, as marionetes e os outros elementos do espetáculo vão gerar e desenvolver os conflitos e as metáforas na dramaturgia. É necessário primeiramente escolher os materiais, as cores e as texturas destes elementos para que sejam coerentes com a ideia e o tema do espetáculo. A surpresa é o aspecto dramatúrgico que vai divertir o público. Ela tem este poder de encantamento pela revelação do segredo que os espectadores vieram buscar. A surpresa está muito ligada à transformação da situação inicial das personagens e do espetáculo durante a sua apresentação. O público acompanha as mudanças que a dramaturgia propõe aos seus elementos animados e, no fim do espetáculo, ele deve também sair da caixa transformado de alguma maneira. A simplicidade é a alma do Teatro Lambe-Lambe, é preciso sintetizar o acontecimento estético no interior da caixa em função também da rotação do público. É necessário que seja rápido para que o próximo possa ver o espetáculo sem ter que esperar muito.

Enquanto disciplina do Teatro de Formas Animadas, a dramaturgia do Teatro Lambe-Lambe é essencialmente uma dramaturgia de imagens. Sua escritura preocupa-se com as relações das imagens com o espaço cênico e seu poder de estimular o imaginário do público.Não existe uma única técnica para realizar esta escritura, não há regras nem códigos estritos para construir uma dramaturgia Lambe-Lambe. O Teatro Lambe-Lambe não é uma técnica mas uma linguagem de possibilidades poéticas. Uma linguagem que se nutre de todas as contribuições que podemos trazer. Verdadeiramente brasileiro, o Teatro Lambe-Lambe se apropria e se enriquece de todos os conhecimentos que chegam a ele.

A dramaturgia do pequeno prioriza os encontros artísticos e humanos. Segundo a lambe-lambeira Cássia Macieira, “sua dramaturgia é um convite a outras linguagens o que o aproxima dos diálogos com as artes”3. Graças à versatilidade do Teatro Lambe-Lambe, os e as artistas de outros domínios podem trazer seus conhecimentos e os transformar em dramaturgia. O músico Felipe Zacchi por exemplo compôs uma música durante o processo de criação do espetáculo Lambe-Lambe Saudade… da Cia. PlastikOnírica. A ação conjunta de composição da música com a criação dos movimentos do boneco atribuiu à trilha sonora um estado dramatúrgico, isto é, a música não é simplesmente um fundo sonoro mas ela indica e segue precisamente as ações em cena.

É uma dramaturgia que inventa novas relações com o ambiente. Suas micro-histórias se opõe diretamente à macro-realidade da vida urbana. Os espectadores e as espectadoras se lançam ao desconhecido no momento de sua instalação diante da caixa Lambe-Lambe para em seguida fazer uma curta viagem, uma aventura em miniatura. A proximidade que o Teatro Lambe-Lambe favorece entre o(a) espectador(a), a encenação e a(o) artista provoca uma fissura no espaço-tempo da vida cotidiana e convida o público a uma imersão no universo das memórias, dos sonhos e dos sentimentos íntimos. Como afirmaram os lambe-lambeiros brasileiros Jô Fornari e Laércio Amaral:

Enquanto criador, executor e consumidor dos artefatos tecnológicos, o homem se vê emaranhado nas próprias ferramentas que buscam a aproximação humana. Em contrapartida, o que temos com o Teatro Lambe-Lambe é pura aproximação, uma troca de pulsações, uma respiração a dois.4

A intimidade e a exclusividade de cada apresentação criam um novo vínculo com o espectador e com a espectadora que saem da referência massificada da cultura mais difundida atualmente. O contato face a face entre o e a artista e seu público estimula a singularidade de cada indivíduo. Como Beltrame propõe ver:

A opção por apresentar a performance para uma só pessoa estabelece um tipo de relação em que ela é o centro das atenções. Só ela desfruta da apresentação naquele momento. É espectador especial e único, deixa de ser mais um na multidão. Isso pode gerar um sentimento positivo de inclusão, pertencimento, autoestima.5

Finalmente, pode-se afirmar que a dramaturgia do Teatro Lambe-Lambe não é somente o que está dentro da caixa, ela se refere a todos os elementos que a rodeiam. O antes e o depois do espetáculo a constituem também. Esta dramaturgia do encontro é política por excelência. A intervenção do Teatro Lambe-Lambe nos espaços públicos encoraja a acessibilidade da recepção do espetáculo a medida que seu formato favorece a democratização de sua própria arte. O espetáculo sai dos grandes teatros e dos centros culturais e, numa versão miniaturizada, ele invade o dia a dia das ruas, das praças e das feiras das cidades. O ritmo dramatúrgico da miniatura convida o espectador e a espectadora a um tipo de desaceleramento via a atenção ao detalhe. O que permite a construção de uma ponte entre a poesia e a subjetividade de cada indivíduo transformando, numa pequena fração de tempo, seu cotidiano.

(Texto integrante da dissertação Teatro Lambe-Lambe – Sua história e poesia do pequeno de Pedro Cobra orientado por Prof. Véronique Perruchon na Université de Lille)

Notas e referências bibliográficas:

1Valmor Níni Beltrame, « Teatro Lambe Lambe : peculiaridades e desafios », Revista Anima, 2015, nº 03, Belo Horizonte, p. 13.

2Valeria Correa Rojas, « Dramaturgia en Lambe-Lambe », Revista Anima, 2015, nº 03, Belo Horizonte, p. 16. (Tradução livre)

3Cássia Macieira, « Dramaturgia curta, antiburguesa e eficaz », Revista Anima, 2016, nº 05, Belo Horizonte, p. 06.

4Jô Fornari et Laércio Amaral, « Sobre Teatro e Tecnologia : um olhar sobre a humanidade », Revista Anima, 2013, nº 01, São Paulo, p.17.

5Valmor Níni Beltrame, op. cit., p. 12.

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VERSION FRANÇAISE

LE DÉFI DE LA SYNTHÈSE

Les dimensions réduites de la boîte Lambe-Lambe et la courte durée du spectacle, d’environ deux à cinq minutes, exigent une efficacité technique et une forte synthèse poétique des lambe-lambeiras et des lambe-lambeiros. La dramaturgie doit en peu de temps présenter les enjeux du spectacle et captiver le public. Mis à part la petite durée du spectacle, il n’y a pas un modèle dramaturgique pour le Théâtre Lambe-Lambe. Les artistes développent la dramaturgie selon leurs projets, leurs préférences esthétiques et leurs propres nécessités. Également, il n’y a pas de sujet prédéterminé, toutes les thématiques peuvent être abordées à l’intérieur de la boîte Lambe-Lambe. Il y a des artistes qui décident d’écrire leurs histoires originales ou d’adapter des contes déjà connus et de les présenter de façon linéaire. Dans ce cas, les actions se développent selon une chronologie très marquée et l’histoire peut se diviser en plusieurs boîtes d’une même compagnie, ainsi chaque boîte raconte un épisode de l’histoire. Un exemple est la trilogie Mistérios de Elêusis de la compagnie brésilienne Eranos Círculo de Arte, divisé en trois épisodes/boîtes la compagnie raconte avec des objets et des projections multimédia le mythe grec du Rapt de Perséphone. Les spectateurs doivent suivre le trajet prédéfini de l’ordre des boîtes pour assister chaque épisode. Il y a aussi des compagnies qui créent des histoires autonomes à partir d’une même thématique, dans ce cas il n’y a pas une ordre pour regarder les spectacles mais les boîtes sont associées. Un exemple c’est le spectacle Baús do Tesouro de la compagnie Avenida Lamparina, inspirés par les histoires des pirates, les artistes racontent trois histoires différentes en trois boîtes Lambe-Lambe, chacune construite selon une technique différente de manipulation : théâtre d’ombres, théâtre d’objets et marionnettes. C’est intéressant de remarquer ici que la dramaturgie de ce spectacle commence avant même que les spectateurs soient à l’intérieur des boîtes. Les lambe-lambeiras et le lambe-lambeiro vêtus en pirates présentent une petite scène avant de commencer à travailler chacun avec sa boîte. Pendant cette scène, les boîtes sont utilisées en tant que décor avec une structure d’un navire pirate.

Différemment, il y a des lambe-lambeiros qui préfèrent développer une dramaturgie plus engagé à susciter une émotion ou une idée chez la spectatrice. Dans ce cas, les actions des éléments sur scène sont travaillées plus sur le côté symbolique et métaphorique. Généralement, ces artistes créent des dramaturgies plus énigmatiques basées sur la polysémie, ce qui ouvre la voie à plusieurs interprétations et lectures de son public. Un exemple c’est l’œuvre colombo-argentine Mariposario de la Cie. De Teatro Numen où le spectateur voyage à l’intérieur d’un livre, dans un univers fait de papier et d’idées fertiles. De une autre façon, le spectacle Quarto de bebê de la Trágica Cia. De Arte présente avec la manipulation d’objets, des marionnettes et d’ombres les rêves et les cauchemars d’un bébé qui ne peut pas dormir. Un dernier exemple, c’est le spectacle A Cripta de la compagnie Turma do Papum qui présente une séquence d’images fantasmagoriques et macabres avec l’intention de terroriser et effrayer le public.

Ainsi, on peut constater que le limite de la dramaturgie du Théâtre Lambe-Lambe est la créativité de l’artiste. Il s’agit donc d’une dramaturgie du possible où il faut travailler les idées, les sentiments, les mémoires et les matériaux jusqu’à ce qu’ils acquièrent la forme des minutes. Le travail de synthèse c’est une quête de l’essentiel, une recherche de ce qui est prioritaire dans les matériaux plastiques et poétiques qui constitueront la dramaturgie. C’est aussi un travail de collecte des graines des sentiments, des mémoires et des sensations. Il faut savoir les cultiver dans les choix des éléments pour raconter une histoire et à chaque mouvement de leur manipulation. Il faut identifier ce qui est superflu dans sa propre création, dans sa pensée artistique et il faut de la force pour le supprimer. Synthétiser c’est surtout un exercice d’humilité. Selon Beltrame :

Dans le Théâtre Lambe Lambe l’idée de synthèse, de dépouillement et de simplicité constitue une option qui suppose l’élimination des excès, le choix de ce qui est essentiel. Ça n’a rien à voir avec simplification ou négligence. La prémisse « économie des moyens », qui conduit depuis des années le travail de metteurs-en-scène contemporains, est considérée comme élément fondamentale. Cette prémisse exige une capacité de condensation et synthèse qui défie les poètes. Les « artistes des boîtes » vivent le constant enjeu de « dire beaucoup en peu de mots ». Et il suffit de rappeler qu’en art, le simple est souvent le plus difficile à se concrétiser.1

La dramaturgie du Théâtre Lambe-Lambe est aussi une dramaturgie du petit, de ce qui est caché. La curiosité suscité au public fait partie de cette dramaturgie. On pourrait dire que le spectacle Lambe-Lambe commence dans la séduction du spectateur. L’effet que la visualité de l’ensemble de la boîte et du lambe-lambeiro a sur le public constitue déjà un premier aspect de cette dramaturgie qui n’a pas des mots. C’est une écriture visuelle qui veut inviter les gens par le mystère des choses cachées. Qu’est-ce que c’est plus séduisant qu’un secret ?

Une fois à l’intérieur de la boîte, on peut remarquer quelques points structurels en commun dans les dramaturgies des spectacles Lambe-Lambe. Selon une des fondatrices de la Cie. OANI de Teatro Valeria Correa Rojas, les points clés de la dramaturgie Lambe-Lambe sont « le conflit/la tension, la surprise, l’échange/la transformation et la simplicité/la rapidité »2. Les tensions plastiques et symboliques entre les objets, les marionnettes et les autres éléments du spectacle vont gérer et développer les conflits et les métaphores dans la dramaturgie. Il faut d’abord bien choisir les matériaux, les couleurs et les textures de ces éléments pour que ce soit cohérent avec l’idée et le thème du spectacle. La surprise est l‘aspect dramaturgique qui va amuser le public. Elle a ce pouvoir d’enchantement par la révélation du secret que les spectateurs sont venus chercher. La surprise est très attachée à la transformation de la situation initiale des personnages et du spectacle lors de sa présentation. Le public accompagne les échanges que la dramaturgie propose à ses éléments animés et, à la fin du spectacle, il doit aussi sortir de la boîte transformé de quelque façon. La simplicité est l’âme du Théâtre Lambe-Lambe, il faut synthétiser l’événement esthétique à l’intérieur de la boîte en fonction aussi de la rotation du public. Il faut que ça soit rapide pour que le prochain puisse regarder sans attendre trop de temps.

En tant que discipline du Théâtre de Formes Animées, la dramaturgie du Théâtre Lambe-Lambe est essentiellement une dramaturgie d’images. Son écriture est concernée avec les relations des images avec le espace scénique et son pouvoir de stimuler l’imaginaire du public. Il n’y a pas une seule technique pour réaliser cette écriture, il n’y a pas des règles ni des codes stricts pour construire une dramaturgie Lambe-Lambe. Le Théâtre Lambe-Lambe n’est pas une technique, mais un langage de possibilités poétiques. Un langage qui se nourrit de toutes les contributions qu’on peut l’apporter. Véritablement brésilien, le Théâtre Lambe-Lambe s’approprie et s’enrichit de toutes les connaissances qui lui arrivent.

La dramaturgie du petit priorise les rencontres artistiques et humaines. Selon la lambe-lambeira Cássia Macieira, « sa dramaturgie est une invitation aux autres langages, ce qui l’approxime des dialogues avec les arts »3. Grâce à la versatilité du Théâtre Lambe-Lambe, les artistes d’autres domaines peuvent apporter ses connaissances et les transformer en dramaturgie. Le musicien Felipe Zacchi par exemple a composé une musique avec le processus de création du spectacle Lambe-Lambe Saudade… de la Cie. PlastikOnirica. L’action conjointe de composition de la musique avec la création des mouvements de la marionnette a attribué à la bande sonore un statut dramaturgique, c’est-à-dire que la musique n’est pas tout simplement un fond sonore, mais elle indique et suive précisément les actions sur scène.

C’est une dramaturgie qui invente des nouvelles relations avec l’environnement. Ses micro-histoires s’opposent directement à la macro-réalité de la vie urbaine. Les spectateurs se lancent à l’inconnu au moment de son installation devant la boîte LambeLambe pour ensuite faire un court voyage, une aventure en miniature. La proximité que le Théâtre LambeLambe favorise entre la spectatrice, la mise-en-scène et l’artiste entraîne une fissure dans l’espace-temps de la vie quotidienne et invite le public à une immersion dans l’univers des souvenirs, des rêves et des sentiments intimes. Comme l’a soulignée les lambe-lamebeiros brésiliens Fornari et Amaral :

En tant que créateur, exécuteur et consommateur des artefacts technologiques, l’homme se trouve empêtré dans les propres outils qui cherchent l’approche humaine. En revanche, ce qui on a avec le Théâtre LambeLambe est le pure approche, un échange de pulsations, une respiration à deux.4

L’intimité et l’exclusivité de chaque présentation créent un nouveau lien avec le spectateur qui sort du rapporte massifié de la culture plus répandue aujourd’hui. Le contact face à face entre l’artiste et son public stimule la singularité de chaque individu. Comme Beltrame propose de voir :

L’option pour présenter la performance pour une seule personne fixe un type de relation dans laquelle elle est le centre des attentions. Seulement elle apprécie la présentation à ce moment là. Il s’agit d’un spectateur spécial et unique, il cesse d’être une personne de plus dans la foule. Ça peut générer un sentiment positif d’inclusion, d’appartenance, de l’estime de soi.5

Finalement, on peut affirmer que la dramaturgie du Théâtre Lambe-Lambe n’est pas seulement ce qui est à l’intérieur de la boîte, elle se rapporte à tous les éléments qui l’entourent. L’avant et l’après du spectacle la constituent aussi. Cette dramaturgie de la rencontre est politique par excellence. L’intervention du Théâtre Lambe-Lambe dans les espaces publics encourage l’accessibilité de la réception du spectacle vivant à la mesure que son format favorise la démocratisation de son propre art. Le spectacle sort des grands théâtres et des centres culturels et, dans une version miniaturisé, il envahit le quotidien des rues, des places et des marchés des villes. Le rythme dramaturgique de la miniature invite le spectateur à une sorte de ralentissement via l’attention au détail. Ce qui permet la construction d’un pont entre la poésie et la subjectivité de chaque individu en transformant, dans une petite fraction de temps, son quotidien.

(Texte intégrant du mémoire Théâtre Lambe-Lambe – Son histoire et sa poésie du petit de Pedro Cobra dirigé par Mme. Véronique Perruchon à l’Université de Lille)

Notes et références bibliographiques:

1Valmor Níni Beltrame, « Teatro Lambe Lambe : peculiaridades e desafios », Revista Anima, 2014, nº 03, Belo Horizonte, p. 13. (Traduction libre)

2Valeria Correa Rojas, « Dramaturgia en Lambe-Lambe », Revista Anima, 2015, nº 04, Belo Horizonte, p. 16. (Traduction libre)

3Cássia Macieira, « Dramaturgia curta, antiburguesa e eficaz », Revista Anima, 2016, nº 05, Belo Horizonte, p. 06. (Traduction libre)

4Jô Fornari et Laércio Amaral, « Sobre Teatro e Tecnologia : um olhar sobre a humanidade », Revista Anima, 2013, nº 01, São Paulo, p.17. (Traduction libre)

5Valmor Níni Beltrame, op. cit., p. 12. (Traduction libre)

Um comentário sobre “O desafio da síntese

  1. Senhores
    Que texto bem escrito, repleto de sensibilidade, bom gosto, e conhecimento refinado de dramaturgia em miniatura.
    Gostaria muito de receber conteúdos, indicações, e suas publicações no contexto do teatro das formas animadas.
    Um forte abraço,
    Henrique

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